Clube de Imprensa Oficial de Ponta Porã

A imprensa, a cidadania e a formação da opinião pública

João Pedro Dias Vieira*

A necessidade de comunicação e de transferência de informação entre os homens existe desde a época em que viviam de forma primitiva.

Os desenhos em cavernas mostram a intenção em transmitir informações visuais, possivelmente para terem certeza que seriam duradouras.

Portanto, a informação do grupo é anterior ao advento do jornal, que surge na Idade Média para atender às demandas sociais do período e evolui com a invenção da imprensa, que se liga ao desenvolvimento do capitalismo – um reflexo das novas relações do indivíduo com a sociedade.

Verifica-se que a imprensa é indissociável da idéia de cidadania e de formação da opinião pública, questões que trataremos neste artigo.

Os desenhos de animais feitos na pré-história, nas paredes de cavernas, demostram a preocupação do homem com a transmissão de informações, principalmente de atos importantes para a sobrevivência, como é o caso da caça.

Esses desenhos, que retratam a caça, com ferimentos provocados por armas ou lanças enfiadas em pontos vitais, poderiam servir, segundo Edgar Morin (1975), tanto para ensinar quais pontos deveriam ser atingidos quanto para dar confiança ao caçador sobre os objetivos almejados.

Ou mesmo as duas opções. A forma gráfica foi a primeira maneira encontrada pelos homens para se comunicarem e darem perenidade ao pensamento.

Segundo Helena Curtis (1977), não é possível precisar em que momento o homem começou a articular as palavras; mas, sabemos quando e como começou a se manifestar através da escrita. Os escritos de Moisés foram a primeira e mais forte influência sobre um número expressivo de pessoas no mundo ocidental, e até hoje são estudados os cinco livros que escreveu: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Podemos dizer, também, que têm interferência sobre as ações dos homens e influenciam fortemente a opinião pública em diversos assuntos, principalmente os ligados à moral. A oralidade ganha força com os gregos, que se destacam pela oratória.

A palavra de Sócrates, por exemplo, só existe por meio dos escritos de Platão, que as imortalizou após transcrevê-las – preocupação que não teve seu mestre. Esses filósofos ainda exercem um poder sobre os homens com suas teses com­portamentais.

Não se pode manter as informações, se transmitidas oralmente. A força das idéias e os próprios ideais perdem-se sem a palavra escrita e seus significados.

Como temos limitações em nossa memória, a história oral restringe-se a assuntos essenciais, da ordem do mito e dos ritos. Ao mesmo tempo em que o discurso evoluiu da forma oral para a escrita, o homem passou a priorizar a vida individual em detrimento da vida em grupo.

A imprensa aparece dentro desse quadro de aumento crescente da população, que se distribui por todo espaço territorial, de dificuldade de comunicação direta com o grupo, decorrente da fragilidade dos laços com a comunidade.

Mesmo que esta tese seja contestada, o aumento da população provoca a dispersão e faz com que as pessoas agreguem-se em vários grupa­mentos, tais como religiosos, militares, políticos, sindicais ou quaisquer outros, em torno de um objetivo em comum.

Diante desse desafio, os detentores de poder procuram e encontram modos de se comunicar com o maior número de pessoas ou grupos para se fortalecer.

 

** é Jornalista, Mestre em Ciência da Informação pela ECO/UFRJ e Professor da FCS/UERJ.